NA HORA DA AFLIÇÃO…

De todas as lições de Jesus há uma em especial que me transporta, acalma e me remete à fortaleza da fé do salmo 91- O Jugo Leve.
O poder consolador e protetor é tão grande que diante de qualquer aflito que me bate à porta imediatamente me vem à mente o sussurro das palavras do Mestre na lição do Jugo Leve.
A inesquecível Yvone do Amaral Pereira na obra Recordações da Mediunidade recomenda: Diante dos aflitos que estagiam nas duas dimensões – Leia em voz alta o capítulo VI do Evangelho Segundo O Espiritismo e os Espíritos em sofrimento encontrarão nas meigas exortações do Divino Mestre o lenitivo para suas dores. A psicosfera de qualquer ambiente se transforma quando a voz cadenciada repete as lições eternas:
“ Vinde a mim todos os que estais fatigados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” ( Mateus, XI: 28 a 30).
Estamos em um tempo aflito, de pressa voraz e inquieta. As pessoas estressadas, angustiadas em sua maioria com grandes e pequenas coisas do cotidiano, imersas em um clima premente de que o amanhã é incerto, perigoso e que poderá ser destruidor estão cada vez mais frágeis e perdidas.
O medo das doenças, especialmente do Imperador de todos os males, perturba e vicia. Quem adoece sofre duplamente pela doença e pela culpa de ter adoecido.
O barulho é ensurdecedor, uma minoria neste mundo de meu Deus se dar ao luxo de ter o silêncio como meta diária de refazimento espiritual e busca interior. Poucas pessoas tem o hábito do silêncio e da calma. A televisão, o computador e todas as demais ferramentas tecnológicas são egoístas não nos deixam ficar sozinhos com nossas próprias reflexões. Muitas pessoas nem sabem e se sabem esquecem ou não se incomodam com a verdade que as redes sociais são extremamente barulhentas e expositivas. Gritam as várias janelas da web, abertas, reclamando atenção
Todas essas atuais ferramentas de trabalho e lazer esgotam, fragilizam e sobrecarregam as pessoas. Alguns alheios parecem mais zumbis, não há tempo para dormir, o organismo cada vez mais nos limites de suas reservas.
Ele espera, e nos convida: “Vinde a mim”. Pacientemente espera cada um em seu próprio tempo, quem sabe na próxima curva, o encontro, a estrada de Damasco.
A fadiga diária do trabalho, de horas insones, da dor, dos compromissos interrompidos, das desilusões, das auto sabotagens, de toda sorte de angustia que nos tornam fatigados e oprimidos e Ele promete: “Eu vos aliviarei”!
Quem mais nos aliviará?
Posses? Títulos? Amores passageiros? Prazeres fugidios? Dinheiro?
Nada disto. Tudo são poeiras na estrada da vida que, diga-se de passagem, nada tem de longa, é curta mesmo, efêmera, passageira. Estamos aqui em um momento e no seguinte… Foi-se.
Como Mestre exemplar nos adverte: “Aprendei comigo”. O bom mestre é aquele que não esconde os ensinamentos, apresenta o melhor caminho e a fórmula da felicidade e mostra-se de forma humilde, mansa. Quantos sábios são arrogantes, distantes e inacessíveis aos aprendizes. Quantos se envaidecem de seu saber! Um saber que por mais que se saiba como bem dizem os grandes e verdadeiros sábios nada, absolutamente nada sabemos. O conhecimento universal é grandioso para se compactar em pequeninas partes.
O descanso prometido é a esperança que não dorme, que não se apaga, é a guardiã da felicidade futura.
Aquele é domina o faz com leveza, seu fardo é leve. Kardec no comentário que se segue neste capítulo arremata: “ Jesus indica uma condição para esta proteção”, qual?
“A observância da própria Lei que Ele ensina. Seu jugo é a observância da Lei – O amor a Deus e ao próximo. E esta Lei é suave, pois que impõe como dever o amor e a caridade”
…”Vinde a mim todos os Aflitos… ( JESUS)

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1 comentário

    • Cacilda Silveira em 24 de agosto de 2012 às 18:24
    • Responder

    Desde a antiguidade Sócrates já nos alertava sobre a importância do “conhece-te a ti mesmo” de buscarmos a nossa ESSÊNCIA que é por natureza ESPIRITUAL e hoje em decorrência de um pragmatismo cada vez mais exacerbado, vivemos justamente o contrário do seu legado: uma fuga de nós mesmos…
    Algumas vezes não temos “tempo” e em outras falta-nos coragem, para fazermos esta viagem maravilhosa ao nosso interior e nos perguntarmos: quem somos nós?. Delegamos a tarefa de nos conceituar aos outros, através daquilo que projetamos, seja nas redes sociais ou no nosso dia a dia ,e é por isto que estamos cada vez mais doentes: porque procuramos fora o que está dentro.
    Conhecer-se gera aprendizado, faz com que assumamos uma nova postura diante de nós. Postura esta de resgate, de mudança interior, de reforma íntima e este caminho de encontro com nossa ESSÊNCIA é o que nos aproxima de Deus, que faz com que estejamos sempre em comunhão com ele. Não tenhamos medo deste autoconhecimento( porque isto significa encaramos nossas mazelas de frente), pois como a Dra Kátia Marabuco tão bem colocou : O seu jugo é suave e o seu fardo é leve.” ( Mateus, XI: 28 a 30).

    Cacilda Silveira

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