jul 11

Os Primórdios da Evolução

 

Desde os primórdios da evolução, o mundo primitivo, através de atitudes infinitamente repetidas, a vida estagia pouco a pouco na escala dos mundos. Desde as bactérias mais simples, àquelas que conseguem viver e sobreviver em meios desprovidos de matérias orgânicas – as sulfobactérias, nitrobactérias e as ferrobactérias, a vida vai aprendendo a oxidar compostos químicos e lentamente vai construindo a matéria orgânica e a produção de energia.

A partir da chegada dos princípios inteligentes em nosso mundo, de forma progressiva a crisálida da consciência inicia sua trajetória estagiando paulatinamente as formas.

Como nos assevera André Luiz em Evolução em Dois Mundos: Não apenas tecidos e órgãos do corpo físico se esboçam nas formas rudimentares da Natureza, mas também os centros vitais do corpo espiritual, que, obedecendo aos impulsos da mente, se organizam em moldes seguros, com capacidade de assimilar as partículas multifárias da vitalidade cósmica, oriundas das fontes vivas de força que alimentam o Universo.

Trazendo temas profundos de ciência, filosofia e religião acerca da Cura e a Vida, a IX Jornada da AME-PI ( 11 e 12 de agosto de 2017), debaterá a luz da Doutrina Espírita o conhecimento que interessa a todos, na busca do entendimento  que faz do Ser, artífice do seu próprio destino e da sua própria saúde integral.

Faltam 30 dias para a nossa Jornada.

Inscrições abertas: www.amepiaui.com.br/jornada2017.

Fonte: EDM. P60-1. Feb. 9ª edição.

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jun 26

As Sete Virtudes.

Há alguns anos atrás fiquei muito impressionada com a leitura de um conto filosófico ditado por Rochester acerca do Amor, no livro: Narrativas Ocultas. Recordo aqui para vocês essas passagens:

…Uma alma humana, chamada Psique preparava-se para descer a terra, mas sendo mulher, movida pela curiosidade resolveu antes conhecer o Paraíso, especialmente desejava conhecer a verdadeira natureza do amor, pois de antemão sabia que, na terra todos devem experimentá-lo para adquirir a felicidade.

Ao percorrer os grandes espaços da Pátria Espiritual deparou-se com um imenso templo, onde cujo amplo átrio sustentado por belíssimas colunas se via a inscrição: ARTES. Penetrando em majestoso recinto, quedou-se embriagada com tamanha beleza e perfeição, após conhecer todas as dependências, os gênios da Poesia e da Pintura a brindaram com uma estrela radiosa que brilhava em sua fronte.

Mais adiante avistou outros seis pequenos templos e um alto edifício que se elevavam em vasta clareira ladeados por árvores gigantescas e luxuriantes jardins. Disseram-lhe: Eis a morada das sete virtudes.

No primeiro residia a Justiça- após franquear a soleira, Psique se inclinou profundamente reverente diante de uma mulher severa e de rígida beleza, sentada sobre uma cadeira de pedra. Seu olhar transpassava como uma chama e sua veste cintilava como um raio de sol, lhe disse com firmeza: Aproxime-se, filha da terra, eu encho seu cérebro com meu sopro, para que você julgue seu próximo com justiça ; mas para usufruir do dom que prodigalizo; sem que a cólera a arraste e as paixões a ceguem, vai rogar  minhas irmãs que a armem com as virtudes que elas possuem e assim ela foi. No templo da Paciência, esta disse: Vem filha, dar-te-ei a têmpera a todo o seu ser com meu eflúvio; és mulher, então mais que os outros, terás necessidade de mim em cada passo que dê na vida. Paciência é a divisa da mulher.

Ao lado morava a Vontade, ao penetrar em seu templo esta lhe divisou: Todos os dons são estéreis se não há vontade de pô-los em prática, então, aprenda a querer, mas , somente a querer o Bem.

Do outro lado havia mais três templos e ao penetrar no primeiro, uma jovem mulher com o coração flamejante no peito, vermelho rubro, palpitando vivo, lhe disse : Sou a Caridade e dôo a você a compaixão e o desejo de ajudar. Cubra com o impulso de um coração generoso todo ser que veja sofrer. Apresentar-lhe-ei aos meus irmãos, a Abnegação e o Perdão, somos inseparáveis.

Na casa da Abnegação um ser vaporoso disse-lhe: Pareço impalpável e sem consistência, como a nuvem que a lufada do ar dissipa, mas meu ser é mais resistente que o granito, sou mais poderosa que todos os meus irmãos, que podem enfraquecer e cair feridos com as asperezas do caminho, repelidos pela ingratidão dos humanos; eu passo sem essas vicissitudes, porque posso beber a mais bela e mais embriagadora das bebidas do céu- o esquecimento de si mesmo!

Com o coração cheio de fé e entusiasmo penetrou a casa do perdão, este lhe sussurrou docemente: Eu sou o resumo de todas as virtude, quando se compreendeu e sondou a verdadeira essência da Justiça e a Paciência, a Abnegação e a Caridade, se perdoa a fraqueza e os erros dos homens, tudo compreende e tudo é perdoado. Sou o bálsamo das feridas da alma.

Comovida e trêmula Psique se encontrou na frente de um estranho edifício, que se encontrava no fundo da clareira, bem maior que os demais, parecendo feito de ouro e pedras preciosas tais os faiscantes raios que fulguravam em sua fachada aclarando os arredores como o sol, mas o fundo parecia se perder numa bruma longínqua.

As virtudes e os gênios da arte alertaram, não! Não entre, aí mora um tirano, sua taça voluptuosa embriagará todo aquele que experimentar seu fascínio. Mas, uma felicidade insensata a invadia, inebriada de início pela celeste harmonia lançou-se com ímpeto, mas, estancou subitamente, recuando apavorada: gritos de agonia e sofrimento chegavam dali.

– O que significa isso? Perguntou.

É aqui que reside o Amor, e é em seu templo que ressoam hinos de felicidade e os tumultos deste caos discordante, disseram-lhe as Virtudes e os gênios, não ultrapasse essa soleira – Ele lhe dará  uma beberagem envenenada que contém sua taça, uma vez provada, você não quererá e não suportará viver sem ele.

Sorridente e radiosos, seguro de seu triunfo e poder, o Amor lhe estendeu a taça e disse: Eu sou o sentido verdadeiro da vida, mas dou a felicidade somente àqueles que compreenderem a verdadeira essência do meu ser, beba se tem coragem!

Após ter esvaziado a taça, sentiu-se por curto momento enlevada, sobre as asas do êxtase, o delírio lhe levou por uma felicidade sem limites, depois começou a enfraquecer, seu coração se enchia de dúvidas, amarguras dilacerava o peito, rasgando e sangrando pungentemente. Dor e prazer se mesclavam em troca de pequeníssimos  instantes de felicidade pura. Preço altíssimo a ser pago ao Amor em troca de migalhas deixadas entre as pedras.

Após sofrimentos lancinantes e insanos onde ondas brasadoras a faziam vergar-se ao peso da dura e inexplicável experiência sentiu uma transformação no Amor: Seus olhos antes difíceis de suportar se surgiu, como pequenina criança de voz tímida, murmurou: Acolha-me, ame-me. Lágrimas quentes e consoladoras encheram seu coração atormentado, uma corrente vivificante percorreu seu ser, uma paz solene e uma força sobre humana fortaleceu seus ombros e ela se sentiu poderosa e forte para proteger e amparar aquele ser, defendê-lo de todos os obstáculos  e perigos da vida.

O Amor lhe disse: Agora você compreendeu o sentido secreto do meu ser. O amor embriagador dos sentidos, é passageiro e mesclado de amargura; o amor humanitário lhe arrancou lágrimas que minha taça incendeia.

Ao sair do templo carregando uma Alma Humana nos braços, Psique refletia no espelho transparente que os gênios lhe ofereceram uma nobre visão, seus cabelos dantes negros havia se tornado brancos como a neve e uma coroa de espinhos sangrentos cingia sua fronte como uma auréola purpurina.

 

Adaptado: Narrativas Ocultas. Rochester/ Krijanowskaia.

Livraria Boa Nova Ltda.

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