fev 25

O ESTRESSE E AS DOENÇAS SOMATOFORMES

Cada vez mais pessoas recorrem aos medicamentos e aos serviços de saúde com sintomas de ansiedade, angústia, fobias, distúrbios afetivos e de depressão.
A síndrome do pânico é uma tônica da sociedade atual, mesmo velada, escondida dos olhos curiosos da vida alheia, é falada, comentada e anunciada nas rodas de conversa, aos quatro ventos.
Síndrome do pânico, quem tem procura esconder, que teve não quer comentar. As pessoas temem comentar para não serem taxadas de nervosas, neurastênicas, impróprias. O silêncio muitas vezes pode esconder uma doença somatoforme, que é provocada pelo estresse e com isto não é tratada convenientemente. As pessoas em especial as mulheres temem o mal ao tempo são assoladas pela pressão social e pelo desequilíbrio gerado pela química cerebral alterada, os hormônios em quedas, os neurotransmissores em falta ou esgotados, daí vem o medo. Ser discriminada como louca desequilibrada ou nervosa, ainda é tabu. Quem? Eu? Não! Imagina, foi só um momento de estresse! Mas é real, nosso mundo está ansioso, estressado, individualista e medroso e o pior cada vez mais os jovens se somam a este grande contingente de ansiosos e estressados. A lista de doenças provocadas pela pressão social e a de ordem pessoal que a própria pessoa se impõe já é grande e preocupa as autoridades médicas.
Veja como é:
A pessoa tem a sensação que não vai respirar, sente tonturas, parece que vai desmaiar, sente uma sensação de morte iminente que a faz suar frio, um mal estar geral a paralisa. Vai ao hospital, faz vários exames, acha que vai morrer! Qual a surpresa quando recebe os resultados dos exames: todos normais – o médico diagnostica: Estresse, pode ser Síndrome do Pânico, prescreve um antidepressivo e aconselha procurar um psiquiatra. A pessoa não acredita que seja verdade, passado alguns dias nova crise, e as crises se repetem e passam a caracterizar o transtorno.
Segundo os estudiosos o termo Pânico se deve ao caráter súbito e inexplicável dos ataques, este é um transtorno causado pela ansiedade patológica, é uma crise de desamparo que aparece em situações de estresse, quando a pessoa se sente desprotegida.
Podem ser acometidos os dois sexos, porém é muito mais freqüente nas mulheres.
O aumento dos casos de ansiedade, está vinculados à nossa vida moderna, fatores como: estresse cotidiano, bulying, dedicação exagerada ao trabalho, violência urbana, mundo globalizada com mídia escancarando e explorando sem cessar dores, desastres naturais e coletivo,o trânsito caótico e congestionado das grandes cidades diariamente, ruídos e barulhos exagerados ambientais, tudo isto acaba levando ao esgotamento físico e mental das pessoas.

Hoje temos também um excesso de atividades e informações, que segundo os especialistas ultrapassam a capacidade do nosso cérebro de processar as informações, decodificar, armazená-las e utilizar no dia adia.
Isto tudo leva a déficit de atenção, associe-se ao fato que fatores estressores elevam o nível de cortisol na circulação que acaba danificando os neurônios ( células nervosas) e por fim comprometendo a memória. È a chamada “Síndrome da Fadiga de informação”.
Tenho um amigo que renunciou a televisão, aos noticiários, aos cartões de crédito e cheques quando começou a perceber que sua vida tinha saído do seu controle, entendeu que por mais que se esforçasse não daria conta de tudo, optou pela calma, pelo simples pelo descomplicado. Claro que este é um caso e nem todos podem optar por esta solução.
Todos esses acontecimentos podem estar ocorrendo em sua casa, com o vizinho ou o amigo, minando a saúde das pessoas, podem levar a desequilíbrios do sistema imunológico e distúrbios psíquicos, você também não está imune, é uma epidemia silenciosa.
Reveja sua rotina, diminua sua exposição a fatores estressantes, desacelere, desconecte-se periodicamente, do excesso de informações, da busca por altos desempenhos, das cobranças generalizadas.
Pesquisadores recomendam períodos de descanso de 10 a 15 dias ao longo do ano, isto é FÉRIAS, descanso, que é mais proveitoso e benéfico para a saúde do que férias de 30 dias a cada 11 meses, isto evita que a pessoa tenha sua saúde abalada por situações extremas de estresse, com circuitos sobrecarregados, dando choque e curto circuito, a ponto de apresentar uma síndrome de esgotamento geral.
Falando em trabalho esta síndrome de esgotamento chama-se de síndrome de Burnout ( queimar, consumir), leva o individuo a um círculo vicioso, difícil de se libertar até que chega ao colapso físico e psíquico.
Quem não pode dividir as férias precisa aprender a ter momentos durante o dia para breves repousos, desligar um pouco a mente, aprender a meditar.
Um mundo agitado, impulsionado por pulsos e pulsos de adrenalina esgotam as pessoas e encurraladas elas não acham outra opção a não ser acelerar mais ainda até que o último pavio seja acesso.
Pense: quem é que está no comando da sua vida?

Dia 09 de Março de 2013 estaremos em palestra sobre a somatização das emoções no Seminário da AME-Lisboa, convidamos os confrades Portugueses a comparecem à este Evento da AME Lisboa e AME Internacional( contato: amebrasil@amebrasil.org.br).

Obs: Doenças Psicossomáticas e Doenças Somatoformes são sinônimos.

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jan 03

INFECÇÃO URINÁRIA E INFECÇÕES RECORRENTES.

Na mulher não grávida a infecção urinária ocorre quando um microrganismo infecta o trato urinário. Este é um dos problemas mais frequentes no consultório ginecológico. De repente aquela sensação desagradável ao urinar, ardor e dor, às vezes a dor é tão intensa e o mal estar na micção é tão grande que a mulher queixa-se de tremor e sensação de febre durante o ato da micção.
O ato de urinar é tão natural que você nem lembra que existe um órgão responsável por isto. É isso mesmo… Todas as funções orgânicas quando estão equilibradas e harmônicas passam despercebidas, você não ouve as batidas do seu coração, não sente quando o alimento suavemente desliza do estômago para os intestinos, a urina é eliminada de forma espontânea e prazerosa, sim por que as funções fisiológicas quando são atendidas prontamente desencadeiam no nosso cérebro a liberação de substâncias ligadas ao prazer. Quem não sente alívio ao saciar a fome que incomoda? E ao esvaziar a bexiga que estava repleta? Alívio e prazer.
Em geral a infecção vem acompanhada dos sintomas já referidos. Acrescente-se o desejo constante de ir ao banheiro que se chama polaciúria e quando ele é premente, precisa-se ir rápido senão a urina poderá sair sem controle chama-se urgência miccional, mas na mulher idosa pode ocorrer infecção sem essas queixas, é a infecção assintomática. Geralmente se deve ao relaxamento pélvico, anormalidades do trato urinário ou quando é necessário o uso do cateter para retirar urina ( uso frequente).
Como as mulheres tem uretra mais curta, elas são mais susceptíveis à infecção. Há também uma associação entre a infecção urinária e a atividade sexual: frequência do intercurso e microtraumatismo da mucosa vaginal com ascendência das bactérias da uretra para a bexiga, alteração do epitélio com diminuição das defesas bem como com a idade ocorre atrofia do epitélio devido à diminuição dos hormônios sexuais.
O desenvolvimento da infecção urinária é causado pelo desequilíbrio entre as forças do hospedeiro (suas defesas) e a virulência e capacidade de adesão ao uroepitélio pelos uropatógenos, que tem na bactéria Escherichia coli o seu maior agente causal.
Aquela pessoa que tem mais de três infecções do trato urinário por ano, tem infecção urinária recorrente. Os fatores de risco mais importantes neste tipo de infecção são: intercurso sexual frequente, o uso de espermicida com ou sem uso de diafragma, história materna de infecção urinária, e início de infecção urinária antes dos 15 anos de idade.
Além do arsenal terapêutico para o tratamento da infecção urinária é importante lembrar a ingesta de líquidos. Beber dois litros de água por dia ou mais, especialmente em um local quente como o nosso onde a transpiração é excessiva. Há pessoas que se esquecem deste importante componente do nosso corpo a água, aliás, é importante lembra-se de que para evitar infecção é necessário ingerir líquidos e não esquecer de urinar, parece até um contrassenso mas há pessoas que se privam de ir ao banheiro por vários fatores: trabalho, não estão com vontade, não ingerem líquidos consequentemente não tem a necessidade de ir ao banheiro, idosos para evitar a incontinência urinária não bebem ou bebem pouca água, em viagens, pela dificuldade de encontrar um banheiro adequado, associam pouca ingestão de líquidos e privação da micção. Todos esses fatores, acrescidos do rompimento das barreiras fisiológicas, podem propiciar uma pequena colônia (de até 10.000 bactérias), ou uma contaminação do próprio organismo, podem levar a uma infecção simples ou estender-se a uma gravidade considerável.

Fonte: Infecção urinária na mulher não grávida. Barros, E et all in: Ginecologia No Consultório. Artmed . 2008.

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