jul 26

Do Recife a Teresina

Dia 16 de julho de 2009 recebi o título de cidadã Teresinense, título este por proposição do Vereador José Pessoa Leal, outorgado pela Câmara de Vereadores de Teresina. A cerimônia aconteceu no auditório do Conselho Regional de Medicina do Piauí. Um momento de grande relevância não só para mim, mas também para toda minha família. Como o discurso foi extenso apresentarei a vocês alguns trechos de minha fala.

Nesta noite memorável, 16 de julho de 2009, no auditório do Conselho Regional de Medicina Piauí, a casa do médico, eu tenho a honra de receber o título de cidadã Teresinense, de fato e de direito.

A escolha desta data é muito especial para nossa família, 16 de julho de 1927 nascia o patriarca de nossa família: José Firmino de Sousa, médico pediatra, se vivo fosse hoje completaria 82 anos, os que o conheceram e privaram de sua amizade recordam-se frequentemente das memoráveis festas na fazenda Malhada de Cima, no município de Timon-Ma, por ocasião de seu aniversário, festas estas que duravam todo o dia 16 de julho, com muita fartura e alegria. Os louros deste título entrego a ele e a nossa querida mãe Lizete de Oliveira Farias, ambos trabalharam proficuamente nesta terra, aqui completaram a prole; nossas irmãs Klênia e Kledja, Piauienses, nasceram na maternidade São Vicente de Paula ( atualmente o Centro Integrado Lineu Araújo , onde trabalho) nesta cidade de Teresina.

Meu pai, nascido no município de Matões – Maranhão estudou em Teresina e posteriormente dirigiu-se ao Recife onde cursou o curso Médico na Faculdade de Medicina, chamada na época Universidade do Recife, turma de Dezembro de 1953. Erudito e poeta era exímio repentista, ainda muito lembrado pelos amigos que privaram de sua presença marcante cujo traço mais representativo era sua capacidade de sextilar em qualquer ocasião.

Minha mãe, muito jovem na época que o conheceu, trabalhava como secretaria e estudava; com o curso secundário incompleto abandonou os estudos para acompanhar aquele jovem médico talentoso e sério, de olhos verdes sedutores, hábil dançarino e de eloqüência no falar. Inicialmente, após o casamento moraram em Penedo-Al, após Vicência –PE e posteriormente retornarmos ao Recife. Por apelo de seus pais Benedita e Luiz Firmino saíram da cosmopolita do Recife para a pequenina cidade de Timon – MA.

Da união de Maranhão e Pernambuco nasceu o nome Marabuco, meu pai com sua veia poética e inventiva, após constrangimento com seu nome Sousa ( tão popular no Brasil quanto Silva) nome este que remonta a historia do Brasil colônia com os primeiros Souzas vindo da joia luzitana e por aqui esparramando descendência, pois bem : O sobrenome Sousa por duas significativas ocasiões haviam ocasionado situações vexatórias a ele – José Firmino de Sousa, decidiu então que seus filhos teriam um nome diferente e para os diferenciar iniciou a família Marabuco – juntando Mara de Maranhão e Buco de Pernambuco, com essa decisão alcunhou a nova família com um nome forte e de sonoridade misteriosa; alguns pensam ser Japonês outros acham que é de origem Árabe. Ele gostou tanto do nome que mais tarde pediria aos filhos que quando casassem e tivessem seus filhos retirassem o Sousa, mas perpetuassem o Marabuco.

Com cinco anos de idade, eu e meus irmãos Luiz Firmino de Sousa, o Tuá para os íntimos que hoje se tornou alcunha do político, Vereador Tuá de Timon, e Danísio Iran Marabuco de Sousa, hoje médico urologista. Entre Timon e Teresina fincamos nossas raízes. Nós três nascemos na Maternidade Santa Rita na Avenida Conde da Boa Vista em Recife, nascidos Pernambucanos e com uma herança genética de Holandeses, Portugueses, Negros e Índios, herdamos a força híbrida da família Brasileira.

De meu pai, por acréscimo da misericórdia Divina, herdei um pouco de sua memória prodigiosa, a inclinação para as Ciências Médicas, o raciocínio investigativo do Diagnóstico, o gosto e o fascínio pelas artes e o profundo respeito pelo sagrado e religioso.

De minha mãe herdei a operosidade e a ternura na lida com o próximo, a fortaleza e o destemor no enfretamento das dificuldades da vida além da uma inteligência privilegiada para mudanças. Ela muito jovem e talentosa, ágil datilografa era prendada nas artes culinárias, talento que por sua vez herdara de sua mãe Maria Carolina, cujo sabor da cozinha era famoso lá, no Pina ( bairro do Recife). Nossa mãe além de uma bela mulher era uma nobre e sensível alma gostava de declamar poesias para nos ninar à noite, que acalmavam e educavam.

Vindo da capital Pernambucana adaptou-se perfeitamente ao novo estilo de vida e trabalho sem nunca esquecer suas origens, junto com meu pai nos ensinaram o jeito contagiante do frevo e a saudade do Recife.

Quando eu tinha 17 anos um fato marcante iria mudar a nossa vida familiar, minha mãe decidiu deixar de ser a mulher do Dr. Zé Firmino para ser uma profissional. Em um ano fez o supletivo e passou no vestibular para Direito na UFPI e em tempo recorde com muita garra e determinação concluiu com sacrifícios extremos o curso de Direito em três anos e meio (3,5 anos), não desperdiçando todas as oportunidades dos cursos de férias, atravessando tarde da noite de canoa de Teresina para Timon, logrando pleno êxito no final do curso nos concursos de promotoria e defensoria pública no Estado do Piauí. Foram esses valores inestimáveis e exemplos que nos moldaram o caráter, atestado o que sempre se soube e que hoje a ciência ratifica que o exemplo e a condução dos pais, muito além da genética é o que forma o caráter e o juízo de valores dos filhos.

Desde cedo meu Pai sempre me dizia, você vai ser cirurgiã, vai ser minha substituta. “Quando você voltar, irei me aposentar”. Dizia com tanta ênfase por todos os lugares, com um sentimento de orgulho que me envaidecia; e sempre me apresentava como a herdeira do seu saber médico. Um dia o machismo da região se apresentou a mim! Como de costume quando ele me apresentava sempre dizia cheio de felicidade: esta é minha filha, minha substituta. Certa feita um Senhor que felizmente não gravei a fisionomia disse: Mas Doutor uma MULHER! E ele respondeu sem pestanejar: É, uma mulher, replicou sem deixar dúvidas ao seu interlocutor da veracidade da sua escolha.

Com excelente formação escolar ingressei na disputada e prestigiada Faculdade De Medicina da Universidade Federal de Pernambuco, cujo campus no Engelho do Meio me possibilitou sólido aprendizado da Ciência Médica, o convívio com renomados Mestres catedráticos, respeitáveis estudiosos da época e uma escola de vanguarda que acolheu mentes inteligentes inquietas e vibrantes, cujos anseios de liberdade foram famosos na época da ditadura.

Para não me prolongar, o texto é grande, resumirei: Meu internato (sexto ano Médico) o fiz no Hospital do Servidor do Estado de São Paulo. Residência em Oncologia Cirúrgica no Hospital A. C. Camargo, por esta época já possuía bolsa e vínculo com o Hospital São Marcos em Teresina, bolsa essa proporcionada com Dr. Alcenor Almeida e Dr. Artur Cândido de Assunção. No retorno à Teresina como já havia passado no concurso para Oncologista do INAMPS ( Ministério da Saúde ) fui lotada como ginecologista no posto do antigo INPS da Praça João Luiz Ferreira, por não haver vaga para oncologista. Posteriormente, no final de 1991 prestei concurso para professor auxiliar de cirurgia no Departamento de Clínica Geral – Clínica Cirúrgica – FUFPI. Já como professora de cirurgia da nossa Universidade, ingressei no Doutorado de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade de São Paulo.

Teresina me proporcionou ainda, a honraria de receber na Administração do Prefeito Firmino Filho, o elevado título de Honra ao Mérito com a Medalha Conselheiro Saraiva.

Em 1997 quando da defesa de tese do doutorado, na Universidade de São Paulo, uma voz interior me chamava atenção; para mim, a voz de Deus falando em minha mente: “Quanto mais títulos, mais humildade e responsabilidades”. Transpondo para o momento presente ao receber o título de Cidadã Teresinense, sinto-me investida de mais responsabilidades para com esta cidade e seu povo que me acolheram e agora me outorgam o título de cidadã , doravante Teresinense.

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jul 03

Papilomatose Vulvar e Papilomatose HPV

Lesões papilomatosas benignas na vulva muitas vezes são confundidas com a papilomatose provocada pela infecção do Papiloma Vírus Humano ( HPV). A papilomatosa vulvar benigna é uma variante do normal; papilas simétricas em grande quantidade são encontradas na face interna dos pequenos lábios, próximo ao meato uretral e no introito vaginal. Essas lesões são uniformes e mais facilmente encontradas na puberdade e na gestação ( principalmente no segundo e terceiro semestre da gravidez), deve-se a uma resposta do epitélio ao estímulo hormonal destas fases da vida da mulher. Pesquisas realizadas não apresentaram nenhuma evidência de associação com HPV. Essas lesões podem confundir até profissionais não familiarizados com esses espessamentos da mucosa vulvar. As verrugas do HPV são assimétricas e dispersas enquanto na papilomatose benigna o espessamento em forma de papilas são uniforme e atapetam toda a mucosa, como já referido anteriormente. Até mesmo a biopsia pode confundir o patologista não experiente com a patologia genital.
Conhecendo seu corpo você identifica lesões precocemente, tenha o hábito do auto exame, há mulheres que teem medo de se tocar e protelam o diagnóstico de uma lesão ou uma doença.
De qualquer forma convém procurar o especialista em caso de dúvida.

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