Perigo nas ruas: traumatismo da laringe

Hoje em Teresina, como em muitas cidades brasileiras, cresce de forma triste a tragédia das ruas. A violência urbana especialmente a violência no trânsito deixa cada vez mais vítimas e infelicita a vida de muita gente. Além dos acidentes automobilísticos que de forma dramática e terrível ceifa as vidas de muitas pessoas acrescente-se o crescimento dos acidentes de motos. Como cirurgiã de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Federal do Piauí, trabalhando no Hospital Getúlio Vargas é com pesar que observamos o crescimento da fila de espera para a cirurgia de correção da laringe; essa cirurgia é o tratamento proposto para os pacientes que sofreram traumatismo de trânsito, especialmente os motoqueiros e tem estenose da traquéia ou da laringe. O acidente no trânsito leva o paciente, muitas vezes com múltiplos traumas, à intubação prolongada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Um longo período com um tubo na garganta (tubo endotraqueal) compromete a vascularização delicada da mucosa da laringe e traquéia provocando às vezes um dano irreparável nesta, tendo como conseqüência a estenose (estreitamento) da luz do órgão. Os traumas da laringe provocados por intubações orotraqueais prolongadas em pacientes nas Unidades de Terapias Intensivas (UTI), são ditos iatrogênicos, sendo muitas vezes irreversível pode levar o paciente que a usar uma cânula endotraqueal pelo resto de sua vida, se não for possível correção.

Acrescente-se a estes acidentes de trânsito os casos em que as pessoas estendem cordas, fios de nylon nas ruas e os motoqueiros ao passar são pegos de surpresa e acabam sendo vítimas de um acidente com traumatismos graves no pescoço.

A Laringe ou o Laringe, os dois são corretos, também conhecida popularmente como pomo de Adão nos homens, é um órgão do pescoço que tem importante função na fala, aí estão às cordas vocais, e na respiração, suas lesões são gravíssimas colocando em risco a vida do paciente. No caso de lesão a prioridade imediata é manter a via respiratória pérvia, ou seja, o paciente precisa respirar, pois este é o tubo no pescoço, que leva o ar para os pulmões, portanto vital para manter a vida da pessoa acidentada.

Esses traumas da laringe pode ser interno ou externo, o último pode ser subdividido ainda em penetrante e não penetrante. O penetrante pode ser resultante de ferimento por arma de fogo ou arma branca, o não penetrante ocorre quando o órgão é comprimido entre o objeto (no caso de acidente automobilístico – a direção, por exemplo) e a coluna cervical. Os sintomas característicos desses traumas são: rouquidão, disfagia, odinofagia e dispnéia.

Nossa alerta como profissionais de Saúde é exatamente aos que utilizam o trânsito, motoristas e especialmente os motoqueiros, muitos desprezam o uso de capacetes, em sua grande maioria pessoas jovens; para atentar às regras de trânsito, o cuidado com o outro, se beber não dirija. O cuidado consigo mesmo e com os outros são princípios que poupariam muitas vidas, evitando tragédias e perdas. É imprescindível aprendermos educação no trânsito. Respeite vida, ela é preciosa para todos.

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Doenças sexualmente transmitidas

É sempre oportuno o alerta de prevenção sobre as doenças que muitas vezes negligentemente, por descuido ou por desconhecimento a pessoa se contamina em um ato sexual.

O médico e erudito, Girolamo Fracastoro, nascido na cidade de Verona, região do Vêneto – Itália, tendo estudado na Universidade de Pádua, 1501, dedicou um poema à Sífilis: Sífilis – uma Teoria de contágio.

Naquela época muitas doenças desafiavam a comunidade médica e uma delas com sintomas terríveis, chamada então “doença espanhola”, por outros “prurido napolitano” e “varíola francesa”, era muito agressiva e desconhecida, só no século XVII é que teve o nome lues venera doença venérea. Sífilis foi o nome que Francastoro deu a tal doença que segundo o autor um “pastor de nome Syphilus por reverenciar um rei mundano incitou a ira do deus sol, como punição ele sofreu de chagas pútridas em todo o corpo, noites insones e seus ossos doíam impiedosamente”. Publicada em 1530, “Syphilis sive morbus Gallicus, foi dedicada ao cardeal Pietro Bembo, conhecido erudito, secretário papal e um dos vários amantes de Lucrecia Borgia”. Francastoro fala ainda da cura de Ilceus, um agricultor que se curou em banhos de mercúrio, terapia que foi muito usada na época que provocou muitas mortes por intoxicação mercurial.

A importância de se conhecer as doenças e infecções sexualmente transmitidas está no fato de que além do alto risco de disseminação, elas podem comprometer gravemente a saúde da pessoa acometida. Além de favorecerem a transmissão do HIV podem provocar câncer, lesões anus-retais, doença inflamatória pélvica na mulher com conseqüente infertilidade, além de resultar em importantes problemas emocionais que podem levar às neuroses.

Devido ao aumento crescente nos últimos anos, as DSTs (doenças sexualmente transmitidas) são consideradas um problema de saúde pública. Uma série de fatores são os causadores do aumento dessas doenças, entre eles estão: promiscuidade sexual, falta de educação sexual adequada especialmente para a faixa mais jovem, baixas condições sócio-econômicas e culturais, automedicação, resistência aos antibióticos, prescrição de medicação por curiosos inabilitados, uso inadequado de métodos contraceptivos, péssimas atuações dos serviços de saúde bem como despreparo dos profissionais, falta de orientação adequada por parte do serviço de saúde para o controle das doenças.

A classificação que se segue surgiu em 1982, é uma das mais utilizadas:

(1) Doenças essencialmente transmitidas por contágio sexual: Sífilis, Gonorréia, Cancro mole, Linfogranuloma venéreo.

(2) Doenças frequentemente transmitidas por contágio sexual: Donovanose, Uretrite não-gonocócica, Herpes simples genital, Condiloma accuminado, Candidíase genital, Fitiríase, Hepatite B, AIDS.

(3) Doenças eventualmente transmitidas por contágio sexual: Molusco contagioso, Pediculose, Escabiose, Shigelose, Amebíase.

Se apresentar úlceras ou verrugas genitais, corrimentos uretrais ou corrimentos vaginais, desconforto ou dor pélvica (dor no baixo ventre) deve-se procurar imediatamente o profissional médico especialista ou não-especialista para a orientação correta.

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